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Tatuadores clandestinos em Jundiaí preocupam

Cuidados necessários ao procurar um estúdio de tatuagem

De acordo com a Vigilância Sanitária, Jundiaí possui 26 estabelecimentos e seis profissionais autônomos cadastrados como Serviços de Tatuagem e Colocação de Piercing. Uma rápida volta pela cidade, porém, mostra que a quantidade de estúdios de tatuagem é muito maior.

O tatuador Adriano Bocuhy Almeida, o ‘Boca’, 41 anos, faz um alerta sobre locais clandestinos. “Já vi shows de horrores por aí. Em alguns lugares, pensam que tudo bem reutilizar a agulha se estiverem tatuando um casal, por exemplo. Outros usam tinta que já passou da validade ou uma máquina mal regulada”, exemplifica. “A tatuagem acaba saindo por um preço irrisório porque o local não tem os custos que um estúdio regulamentado tem”. Ele e a companheira Carla Mirela, 40 anos, abriram o primeiro estúdio de tatuagem em 2003, em Florianópolis. Foi ali que aprenderam sobre as exigências técnicas para abrir seu próprio negócio.

Segundo a Prefeitura de Jundiaí, os lugares, por serem considerados de interesse à saúde, devem apresentar a Licença de Funcionamento emitida pela vigilância sanitária municipal, com renovação anual, além de um alvará emitido pelo Corpo de Bombeiros. Ambos devem estar visivelmente colocados no estabelecimento. “O alvará sai mais caro porque trabalhamos fora do horário comercial. Gastamos quase mil reais só com isso todo ano”, diz Carla, que atualmente administra o estúdio do casal em Jundiaí, o Sabbaths Tatoo.

 

Rui Carlos

Além do alvará, as luvas, agulhas, lâminas ou dispositivos destinados a raspar pelos devem ser de uso único e descartados após sua utilização; as tintas devem ser registradas pela Anvisa e devem ser fracionadas para cada cliente e as sobras desprezadas. Segundo Carla e Boca, se o estúdio também fizer piercings, é necessário ter uma autoclave (máquina de esterilização) e uma sala separada para isso ou realizar o processo fora do horário de trabalho. “Para cumprir todas as exigências e usar materiais de qualidade, o custo de uma tatuagem não sai por menos de R$ 120 ou R$ 200, por menor que seja”, diz Boca.

O casal reconhece que é comum encontrar profissionais que trabalham de forma independente ou amadora, já que não existe uma faculdade ou curso profissionalizante de tatuagem. Foi assim que Guilherme Ribeiro, 26 anos, começou. “Eu desenhava bem e sugeriram que eu começasse a tatuar. Fazia em casa ou na casa de amigos, mas foi só quando procurei um estúdio para evoluir meu trabalho que tive noções de contaminação cruzada ou descarte de lixo, por exemplo”, afirma o tatuador, que hoje trabalha com Boca e Carla.

Ela recomenda que os novatos busquem aulas de biossegurança para saber o mínimo sobre os cuidados de higiene a serem tomados e as consequências para a saúde. “O cliente é uma pessoa que está colocando um pedaço do próprio corpo à disposição para receber sua arte. É um desrespeito do tatuador não se importar com sua saúde”, diz. O próprio profissional pode se colocar em risco também. “O recomendado é fazer um hemograma completo e exames de hepatite a cada seis meses.”

Sem os cuidados necessários, as consequências podem ir além de uma tatuagem borrada ou que desbote muito rápido. “A pele pode entrar em contato com uma bactéria ou vírus e ficar infeccionada ou pegar uma doença. É possível também desenvolver alguma alergia posterior”, alerta Carla.

Até depois de fazer a tatuagem os profissionais recomendam alguns cuidados. Além de usar uma pomada cicatrizante, é importante ficar longe de mares, rios e cachoeiras até o fim do processo de cicatrização. “Até a alimentação tem restrições. Comidas gordurosas ou frutos do mar possuem muitas toxinas e o corpo vai eliminá-las pelo local que está aberto, que é a tatuagem”, diz Boca. Mais uma vez, o risco é de infecção.

Para evitar problemas, o casal recomenda conhecer o local e o tatuador antes de marcar a tatuagem. “Hoje em dia todo mundo vê seu Instagram e pede um orçamento por Whatsapp, mas tem muita gente que usa fotos de terceiros”, afirma Carla. “O ideal é ir ao lugar conversar com o tatuador. Além de saber se você se identifica com o trabalho da pessoa, vai poder conferir todas as condições de limpeza e higiene do local com os próprios olhos.”

 


Fonte: BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI - jj.com.br

 

 

 


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